RSS
Hello! Bem-Vindo! COMENTE! Vamos Respirar Cinema, escolher os melhores actores, os melhores filmes e as cenas predilectas. Tem uma opinião? Deixe-a no Read User's Comments

Get Out! - Corra (filme 2017)



Estrelas: 8/10

Adorei este filme!
Achei-o surpreendente, firme no enredo, verosímil na história.




Chris e Rose são um casal inter-racial que vão passar um fim-de-semana à casa dos pais dela. Pela primeira vez, Rose, de etnia branca, vai apresentar o namorado, de etnia negra, à família. Será que eles vão ter algum problema com isso?

Rose garante que não - pois o pai até votaria em Obama para a presidência por um terceiro mandato, se pudesse. E de facto, quando Chris chega à enorme mansão da família, é bem recebido. Ao mesmo tempo algo estranho se passa. Nenhuma conversa é mantida sem se fazerem referências à sua cor de pele. Num convívio social - pois coincide que nesse fim-de-semana é também a altura do ano em que a família reúne todos os amigos influentes em casa - Chris é até apalpado pelos seus músculos, como se fosse uma peça em leilão no tempo da venda de escravos.

Mas o que Chris mais estranha são os dois empregados da casa - ambos negros como ele, mas com um comportamento estranho, que oscila entre o doente mental e o normal. Naquela casa, os empregados vestem-se e falam como se vivessem nos anos 30...

Numa tour ao lar, o pai de Rose, cirurgião, faz questão de levar Chris até às fotos da família, onde aponta para o retrato do seu falecido pai, um ex-atleta de salto e corrida que participou nos Jogos Olímpicos de 1936, na então Alemanha nazi. O que aconteceu nesse ano que ficou na história? Jesse Owens, um atleta Americano de origem africana bateu todos os outros - inclusive os de raça ariana, (que a propaganda de Hitler dizia ser de raça superior) e conquistou o primeiro lugar num pódio.


Conforme dá para entender, as conversas giram em círculos mas parecem sempre ir ter a um tema em particular: raça - brancos e negros. 

De todos os membros da família que Chris foi conhecer, a mais «normal» parece ser a mãe, psiquiatra de profissão. Isto até o momento em que Chris é convidado a entrar no escritório dela... e esta usa um trauma de infância de Chris para o hipnotizar.

Se as coisas eram estranhas até aqui esperem só até os restantes convidados chegarem...


Não vou contar mais sobre a história mas quero reforçar o quando gostei do filme e que partes me surpreenderam mais. 

Uma delas foi o desfecho. Quando surge um veículo com luzes azuis e vermelhas a piscar pensei que ia ser um desfecho típico dentro daquelas circunstâncias: finalmente, chegava a polícia. E infelizmente para o nosso «herói», o polícia ia ser o mesmo que o parou na estrada na viagem até ali. 

Surpreendeu-me esse final.

Outro aspecto que gostei foi o de perceber que a personagem idiota do filme, aquele tipo que só pensa e diz parvoíces é, afinal, o que está certo o tempo todo. Ahahah. Bem feito para todos os «normais» que julgam que os «idiotas» nunca podem ter razão. Kkkk.


Também me surpreendeu o real motivo de toda aquela movimentação. Pensei eu que hipnose era o máximo do que ali acontecia com certas pessoas mas, afinal, tudo está muito mais conectado e enraizado... Não sei se a invasão, ao invés da adopção, seria a opção escolhida se, de facto, a noção de racismo fosse a questão fulcral - que não é. O surpreendente do filme também é isso. A questão principal é na realidade outra e são duas: o desejar viver para sempre e o viver para sempre jovem, saudável e em super-forma.

Neste sentido o filme mostra que a "raça superior" é outra - e a sua «escolha» em nada recaí sobre conceitos de racismo, mas em conceitos de biologia.

Então não deixa de ser engraçado e, mais uma vez, surpreendente, quando, mais para o final, percebemos quem são as pessoas a quem Rose chama de avó e avô...



Um filme a não perder.
Ah, e falta mencionar o quanto torcemos pelo «herói» no final e apreciamos quando inescrupulosamente este começa a virar o jogo... 


Cenas pouco credíveis que «arruinariam» a história se esta não nos agradasse tanto:

1- A cirurgia começar sem a presença do principal elemento (a sequência não me parece muito lógica).

2- Não resistirem a mostrar uma poça de sangue a jorrar da cabeça de um indivíduo (que, no mínimo precisava de ter tido o crânio rachado, presumo eu) e fazerem como naqueles filmes em que um tipo é baleado não se sabem quantas vezes e continua a vir atrás e a perseguir.... Só para mostrarem um elemento crucial referido duas vezes: na abertura do filme e durante o jantar de família. Contudo, apreciei esse elemento. 


Também achei no youtube esta pequena paródia aos elementos do filme e fartei-me de rir. Por isso não deixo aqui nenhum trailler - pois este denuncia tudo o que surge no filme - mas a paródia. A ver se chegam lá.... eheheh.


C.H.I.P.S.


estrelas: 8/10

VI este filme sem grandes expectativas. Esperava mais uma comédia aparvalhada sobre dois polícias que não se conhecem e não gostam um do outro mas acabam bons amigos após serem forçados a trabalhar em parceria. Com recurso a piadas fáceis, em larga maioria fazendo referência a sexo e obstipação.

Mas enganei-me!!
O filme CHIPS é muito melhor do que esperava.
Não me entendam mal: claro que, como comédia enquadrada numa investigação policial liderada por dois polícias, o filme engloba sexo e piadas fáceis. Mas não as considerei de mau gosto ou vulgares. É saber fazer humor de forma respeitosa, não deixando de recorrer aos mesmos elementos, mas dispondo-os de forma adequada. 



As personagens têm profundidade - não são superficiais nem os seus «problemas emocionais» ficam pelo óbvio que se resolvem em dois segundos de conversa «séria». Ambos os polícias, à sua maneira, têm personalidades distintas e credíveis, acaba-se por acreditar no processo evolutivo da amizade entre os dois.

Os vilões também têm surpresas e profundidade. Hurrai para o vilão-mor, que conseguiu fazer uns olhinhos de profundo pesar que comove qualquer um. Quero dizer: sabemos que ele é o «mau», que matou amigos e é ladrão, mas, ainda que o filme tenha recorrido ao mesmo pretexto para fazer com que o vilão procure a vingança (não vou dizer qual o recurso mas ao verem o filme vão entender que é cliché), não se sente como algo repetitivo. Senti a emoção da dor do vilão e isso é algo que qualquer um de nós consegue entender. Neste filme de comédia, não aprofundam muito o lado dos vilões, mas também não são desprovidos de alguma história e profundidade que se adivinha ao se conhecer essa história. 


Depois tem as situações em que os polícias se vêm inseridos. Também aqui acho que o filme está acima da média. Temos as típicas situações de perseguição policial e acrobacias «forçadas» no guião, mas que aqui acabam por encaixar um pouco melhor que o habitual. Ao contrário da maioria dos filmes do género, comédias que mostram violência e explosões, aqui as pessoas de facto morrem... Ou só podem ter morrido. O filme não se foca muito nesse aspecto mas, ao contrário de muitos outros tipo os que o Mel Gibson protagonizou com a Goldie Hawk, quando existem cenas de perseguição nas ruas ou em lugares públicos onde a vida de inocentes corre risco, não são só as roupas estendidas em varais e as bancadas de frutas que são albarroadas com um veículo em excesso de velocidade. Neste filme, as pessoas também são! O que seria bem plausível na vida real.

Existe até um momento - um momento de piada fácil mas que achei fantástica. Uma carrinha policial está em perseguição e ao dobrar uma esquina, está uma celebridade a sair de um automóvel com uma série de pessoas à sua volta. O embate é inevitável e dois homens com mochilas e máquinas fotográficas recebem o impacto e são projectados pelo ar. Uma fracção de segundo foi o que mostraram dessa cena, mas pessoalmente, admirei-a, fiquei assutada por me mostrarem algo que pode ter resultado na morte de dois inocentes mas gostei que a tivessem feito. SEM a seguir mostrarem os dois totalmente ilesos mas estendidos no asfalto, a fazer um manguito para a carrinha - como que a assinalar à audiência que não lhes foi incutido nenhum dano maior e por isso esta pode relaxar e continuar a ver o filme despreocupadamente.

A piada foi que a condutora do veículo, assustada pelo embate, pergunta ao polícia que está com ela:
-"Meu Deus! O que foi isso??!"
E este, olha para trás e ao ver o cenário com que se depararam, responde:
-"Ah, está tudo bem. São paparrazi".

LOL.
Muito bem metida! A piada... A crítica. A comédia, o estarem a dizer que a vida de paparazzis é insignificante pela actividade em si - não pela vida humana, claro está. 


Do todo, o que considero mais fraco no filme é a história policial de investigação que serve de base às personagens. O facto dos dois policiais discutirem os factos do caso em frente de um by-standart é muito cliché (um tipo de uma imobiliária que lhes mostra uma casa que foi habitada por um suspeito e abandonada). Quem é que no seu juizo perfeito ia dizer, ali, na frente de um desconhecido, o nome do suspeito, o que ele fez ou deixou de fazer? Mas pronto... foi o único cliché mais irritante do filme, no meu entender, e durou poucos segundos. Talvez quisessem encurtar o filme uns segundos com uma cena obvia e rápida como aquela.

As brigas e cenas de pancadaria estão muito bem feitas. A comédia física está muito bem planeada e o filme, neste e em todos os sentidos, é muito bem realizado. Parabéns ao diretor
Claro que uma cena memorável por estar bem feita é quando um dos heróis se vê numa situação de vulnerabilidade e precisa pedir ajuda ao colega. O tipo caiu e ficou sem conseguir se mexer. Tinha acabado de acordar, de sair da cama... e estava nu, pois dorme nu. Era uma situação que tinha tudo para ser feita e apresentada à audiência de uma forma cliché e sem grande credibilidade. Mas não foi. GOSTEI da forma e de como os outros assuntos se encaixaram. A informação que o espetador recebe daquela cena esclarece muito em termos visuais e é ali que vemos e acreditamos que a relação dos dois se cimentou na amizade.

E pronto. Vejam o filme.
É bem melhor do que seria de esperar.
Talvez passe debaixo do radar, mas vale a pena.

PS: Acabei de verificar que o site Rotten Tomatoes não recomenda este filme.
Talvez seja uma boa razão para o irem ver. Já que este site está cada vez mais bambo das pernas no que respeita à maioria das avaliações que faz. Já a audiência que avalia filmes no site, fornece uma apreciação três vezes mais elevada.



Lua de Mel, Lua de Fel



Estrelas: 10 (de 10)


Nem sei como ainda não falei deste filme que foi por muito tempo um dos meus favoritos.

Lua de Mel, lua de Fel (Bitter Moon - 1992) passou nos finais dos anos 90 na televisão, bem de noitinha. Comecei a ver e nunca perdi o interesse. Senti contínuos nós no estômago. Senti revolta. Apeteceu-me xingar o mocinho com todos os nomes feios possíveis e impossíveis. 

O filme foi exibido com bolinha vermelha por conter muitas cenas em que se fala de sexo de forma explícita e detalhada. Também se deixam ver orgãos genitais - femininos, claro. Mas na minha opinião, a «bolinha vermelha» assinala uma obra-prima na qual o que mais no choca não é a nudez, e sim a linguagem crua e real. 

Fiona e Nigel
Resumo: Nigel é um homem pacato em viagem num navio cruzeiro com Fiona, sua esposa. O casal inglês procura assim reacender a chama do seu casamento embarcando numa viagem de segunda lua-de-mel rumo à mítica Índia. Numa ocasião sozinho no bar, já que Fiona enjoa com o balanço do barco, Nigel sente-se totalmente atraído por uma bela mulher que vê a dançar. E muito sem jeito passa-lhe uma cantada. Pensa estar a ter sucesso mas... está redondamente enganado. Aquela mulher de vermelho com sotaque francês vira uma obsessão e para saber mais sobre ela e a tentar levar para a cama Nigel revela-se um homem com um carácter bem diferente daquele que transmite para fora e julga ter.

Um filme soberbo - na minha modéstia opinião. Com boas atuações de parte em parte. Talvez a mais crua seja exatamente a da «bela mulher de vermelho», a atriz francesa Emmanuelle Seigner, na altura e ainda presentemente, esposa do diretor do filme, Roman Polanski. 


Adorei a linguagem do filme, as verdades cruas, a forma como os personagens que pareciam os mais desprezíveis também eram honestos e transparentes. Adorei o sarcasmo, as ironias (que são muitas), entendi que não podia ter existido outro final, que se fechou o ciclo e aquele derradeiro gesto foi, no fundo, um de altruísmo. Que acabou por ser a salvação do casamento do jovem casalinho britânico - aquelas últimas horas no navio cruzeiro os fez crescer como nunca e solidificou a sua união até então em risco de ruir.

Mimi e Óscar
Falta ainda mencionar talvez a personagem mais importante de todas. Porque é ela que nos vai enojar. É ela que vai conduzir a história. Óscar, o marido da bela e jovem Mimi - a mulher de vermelho. Escritor americano, assim que vê Mimi num autocarro apaixona-se por ela. A jovem tem o sonho de vir a ser bailarina e acaba por se apaixonar também perdidamente. Os dois vivem em pleno clima de lua de mel, só sexo, só quarto, só amor. Mas não se vive só disso e o resto da vida se impõe: os sonhos de carreira como bailarina, os delírios de um escritor em escrever a sua grande obra prima. A relação dos dois passa então por um momento baixo. Depois vira cruel. Torturosa. Mas apesar disso, ainda com amor. Tudo vai um pouco longe demais... E então os dois, já muito diferentes do que eram quando começaram, decidem partir num cruzeiro... A ver se a coisa tem conserto ou faz sentido. Mas tem? Ambos sabem a resposta. Ambos se amam. Mas o amor basta quando tanta coisa o maltratou? 


Óscar e Mimi acabam por encontrar em Fiona e, em especial, em Nigel, um divertimento para as suas vidas já tão desgastadas. O casal inglês passa a ser o novo entretenimento do escritor e da ex-bailarina. Situação que agrada a Nigel, convencido que está que vai conseguir levar Mimi para a cama, sem que a sua esposa fique a saber. Ele até providencia uns comprimidos para o enjoo que vêm mesmo a calhar... Mas Nigel não é páreo para Óscar ou Mimi. Na realidade, nem para Fiona.


Categoria: Romance Erótico/drama
Estrelas: Dez

A Medalha de Bronze (The bronze) - 2015/16


08 estrelas (10)

Bastou-me olhar para o poster deste filme para sentir que ia valer a pena ver. Não me arrependi. 

Ao invés de ter as suas bases assentes em comédia disparatada, com pouco sentido e altamente exagerada e caricata “A medalha de Bronze” assenta na mensagem. Descreveria a história mais como um drama pessoal, envolvendo uma personagem central mas também outras secundárias, contado de forma evolutiva e com humor. 

Hope é uma ex-ginasta olímpica medalhada em 2004 com bronze. Ficou famosa por se ter lesionado e ainda assim ter feito o exercício, o que lhe valeu o 3º lugar no pódio. Na sua pequena cidade Natal, onde ainda mora, ela é a vedeta. Não obstante, vive amargurada e revoltada com a vida, pois a sua carreira como ginasta terminou logo a seguir. Ela só sai à rua usando o fato desportivo das olimpíadas de 2004 e mantém o visual de uma ginasta: franjinha direita e cabelo preso num rabo de cavalo. Tudo à sua volta tem as cores nacionais, recordando todos o que ela já fez pelo país. Desde os elásticos para o cabelo, ao pijama, as canecas de leite e até a entrada para o seu quarto, local recheado tanto de medalhas e troféus, como de peluches. 


Os estabelecimentos locais têm uma foto dela afixada na parede e ela espera receber tratamento especial, como por exemplo, não pagar pela refeição no “MacDonalds” local. Até a marijuana que fuma não é paga, ela espera que lhe seja dada devido ao estatuto de estrela de ginástica. Mimada e verbalmente abusiva, Hope vive com o pai, a quem dá pouco valor e menospreza. Quando lhe convém faz questão de relembrá-lo que perdeu a mãe aos seis meses de idade, uma chantagem emocional que não escapa à inteligência do pai. Ela também o rouba, ou melhor, aproveita-se deste ser um mero carteiro, arromba-lhe a carrinha com a correspondência e abre tudo o que contém dinheiro. O pai percebe e tenta chamá-la à atenção. Quer que ela reaja, arranje um trabalho, deixe de estar presa no seu passado de estrelato. 

É aí que a sua ex-treinadora, dona de um ginásio, comete suicídio. No dia a seguir o pai de Hope entrega-lhe uma carta da ex-treinadora... E a vida de Hope começa a mudar. Gradualmente, vê-se forçada a treinar a próxima grande promessa em ginástica, uma menina que, se tiver sucesso, vai substituir Hope nos corações do povo da cidade e privá-la do que ainda lhe resta: as suas regalias de estrela local. O que irá Hope fazer?


O filme está bem feito, assenta numa boa história e espelha bem o mundo da ginástica competitiva. Pelo lado da importância do estatus, pelo lado da fama, do trabalho, dos treinos, e da personalidade. Tem uma cena em que Hope ensina a sua pupila a importância de parecer graciosa em cada gesto e sorrir, pois as câmeras estão a registar cada detalhe e os patrocínios obtém-se pela simpatia. Um primor, numa crítica psicológica que não é exagerada nem vulgar. Tem ainda o bónus de mostrar que Hope ficou muito atrás nos seus estudos, faltando-lhe conhecimentos até rudimentares, pois a sua infância foi dedicada à ginástica e coube ao pai, cheio de boa vontade, ensiná-la em casa o que se aprende nas escolas.


Com uma memorável cena de abertura – que pode chocar os mais sensíveis, o filme resume tudo o que acabei de escrever em poucos minutos. Foram precisos muitos mais para reconhecer Melissa Rauch, que faz de Bernadette na série a Teoria do Big Bang, como a intérprete de Hope. Mas sobre cenas memoráveis o filme ainda nos reserva a cena de sexo... Para elogiar também fica o impressionante trabalho de praticamente não se notar o uso de duplos para as cenas de ginástica ou... outras.


O filme aposta na linguagem ordinária, mas não é ordinário. Para quem viu filmes com Adam Sandler - qualquer um, mas em particular o último “The Do-Over”, este não é esse tipo de filme. “A medalha de Bronze” consegue estar vários patamares acima e pertence a outra categoria totalmente diferente. É um filme com uma história, onde todos os personagens têm profundidade, mesmo todos. O que, no panorama de comédias parvas de Hollywood, é refrescante e digno de medalha de ouro.

Trailler oficial

Entrevista com o "Tiques" e o "Engatatão"

Forsaken 2016 - E esquecido será!


02 estrelas (10)


Acabei de ver o filme Forsaken (2016), um filme que se passa no «velho oeste», com Kiefer Sutherland no papel de pistoleiro arrependido que retorna a casa após a morte da mãe. Ao chegar, encontra o idoso pai (Donald Sutherland) que está de mal com o filho por este ter abandonado a família e não ter dado notícias por 10 anos.

Cliché? 

Sim, claro que é. E não é o único. Para resumir, o pistoleiro não dá mais tiros, vai resolver as suas diferenças com o pai e resgatar o amor paternal, mas encontra uma cidade onde os moradores estão a ser coagidos a vender as suas terras, nem que seja à lei da bala. E chega o herói, que também abandonou um velho amor que logo o vem procurar, e salva a cidade! Com uns parcos tiros. O final é mais um passeio de cavalo (há muitos no filme) com o herói a cavalgar em direcção ao horizonte. A voz off tenta convencer que o público torce por aquela figura sem carisma que supostamente viveu um drama profundo. Mas tal não acontece. O cliché do relato do herói a afastar-se e nunca mais ter sido visto, com os boatos que o apontam «aqui e ali» termina e solto uma forte gargalhada. O filme assume-se no final e não é como um drama, mas uma comédia!

Forsaken pegou em tudo o que é cliché e fez um filme que já foi visto 500 vezes. Nem sequer falta o bandido pistoleiro que tem consciência e nutre admiração pelo herói com quem vai ter de duelar. E claro, os dois ficam amigos e não se matam.

Disse tudo? Não. O filme é que não tem nada de novo.
A lista de clichés continua mas talvez o mais interessante de mencionar é que assim que o herói é apresentado, Kiefer Sutherland faz uma imitação de um Bruce Willis durão. O tempo todo ocorre-me que os produtores do filme gostariam de ter tido Willis no elenco mas tiveram de se contentar com os Sutherland - pai e filho. Até as falas-chave que o herói entrega no filme parecem ser roubadas das que já identificamos mil vezes nos filmes Die Hard com Bruce a interpretar John Maclane. Como se isto não bastasse para prejudicar a já pouco impressionante interpretação de Kiefer, a sua personagem também se chama John e heis que surge a ex-namorada abandonada, interpretada por Demi Moore. Não faltava mais nada para fazer sobressair a presença de Willis num filme onde não entra! 


As interpretações de Willis de um tipo durão ficaram cunhadas com um estilo muito próprio, que Sutherland parece querer copiar e fazer passar por seu. É uma pena, em nenhum instante a personagem ganha a simpatia do público ou convence que é durão. Um durão com cara de cobardolas... não dá não.  

Bruce Willis, és tu?
Dizem que o talento salta uma geração. Pois neste filme isso torna-se evidente. Temos dois Sutherlands, mas é o mais velho, calejado, que entrega uma performance emotiva e de longe, mais convincente e forte - ainda que também faça um papel cliché, que provavelmente já interpretou outras vezes sem conta.


Nem sei que nota dar a este filme. Mas é baixa. Não se admite nos dias de hoje que não exista uma equipa criativa capaz de fazer pelo menos uma de duas coisas: Copiar um roteiro com uma realização e diálogos criativos ou não copiar um roteiro e trazer uma história nova ainda que menos bem realizada. Se este filme contivesse algum destes parâmetros, teria valido a pena. Mas falha nos dois.

Nota: 01. 

English:
I just saw the most Bruce Willis movie without the actor in it.
The name of this peace of work is Forsaken, with both Sutherland actors playing respectively father and son. 

The plot is has cliché has you can imagine. Western town, bad guys are killing the men so they can have their land. Lost son returns home to make peace with his father and has to make justice. He kills every one. Of course he has a forever lasting love ex-girlfriend, he makes peace with his father, and then goes away again after making «justice» and save everybody! There's even a bad guy with a good conscience, and the two men get to be friends. Ohhh!! Have I seen this anywhere ever? YEEESS!!!

This Hollywood copy-cat script is unforgivable. In this day and age there's two things the movie industry should be able to deliver without making a mess: a story that is a rip of many others scripts but is well done, with good dialogue, stunning performances and specially very good direction OR it can make an original script with a less well made or a strait out-from-the-book direction. This movie MISSES both. It sucks.

But I mentioned Bruce Willis. Where his he?
In Kieve Sutherland performance. Witch looks like a rip-off of many of Die-hard Bruce's performances. Without the humor and carisma, of course. Its always there... in a posture or even in a catching phrase. I don't think it's a coincidence. All movie along I has thinking the directors may have try to cast Bruce to do this hero - with is also named JOHN, has Bruce's character in Die Hard. But he refused and they got the Sutherland instead... 

This is so bad that long after Kieve delivers a Bruce Willis rip-off performance and says some Die-Hard rip off lines, there comes the ex-long time girlfriend... and it's played by Demi Moore.

What a way to have an actor in a movie when he even isn't around!!

It is said that talent skips one generation. Well, in this movie that is visible. Both Sutherlands are there but only the older one with much more experience under his belt can deliver a truthfully emotional performance, although he too has played that character-type hundreds of times and it's again a cliché character. 



A great villain, although a cliché on paper it's a well done performance
There are great villains interpretations, though. 
Unfortunately the phrase a «movie being has great has it's villains» does not save this mountain of "I've seen this before" Southerland's movie. 

Give it 2 stars out of 10 because I'm in a good humor after the strong laugh the movie's final scene (the hero horse riding into the horizon with a sleazy narration) took from me! 

Exposed - Keanu Reeves


00 estrelas (10)

Vi o filme EXPOSED (2016), que encontrei avaliado algures com 4.5 estrelas (numa escala de 5). A classificação elevada, que quase sempre corresponde à qualidade do filme, foi o que me fez ver a história - que de si não me interessava nada.

A sinopse descreve: Uma jovem mulher latina vive estranhas experiências enquanto um polícia investiga a morte do seu colega.

Ah - pensei. Nada interessante. A classificação quase máxima levou-me a dar uma chance a este filme protagonizado por Keanu Reeves. 


De inicio a história é confusa e não se entende bem o que está a acontecer. A meio do filme essa interpretação não desvanece. Mas uma pessoa ainda dá uma chance, graças às figuras misteriosas que só Isabel, a tal «jovem mulher latina» consegue ver. 

O filme termina e é uma grande merda. Não vale absolutamente NADA.
Keanu faz mais um dos seus papeis cliché, fala muitos palavrões, é uma alma atormentada e dá muita porrada aos "maus". A jovem latina, só fala espanhol. Metade do filme é falado em espanhol. 

E creio que descobri aqui a razão de ter sido tão estupidamente avaliado em críticas online.
Todos os que são latinos ou com raízes "latinas" devem ter adorado este filme só por ser falado em espanhol e daí avaliaram o seu apreço pelo detalhe, nada mais. A história em si, não vale nada. A "Jovem latina" é também o único rosto mais atraente de todo um casting de latinos/negros. Ela é a mais branca, a que faz as sobrancelhas na moda, a que tem uma pele perfeita. E é também, de facto, a mais jovem. Todo o restante elenco é feio, porco e mau. 

Quando percebi que metade do filme era legendado em inglês pensei: "Oh, oh. Os americanos (o filme é dos EUA) não gostam de ler legendas. Não estão habituados. Não podem ter dado uma avaliação tão alta mesmo que este filme seja espetacular". 

O filme está em Plutão, tal é a distância em que se encontra da Terra para ser espetacular.
O MISTÉRIO da pontuação quase máxima mantém-se.

O site IMDB actualmente classifica este filme com 4.6 estrelas (num total de 10) e 2.5 (num total de 5). Uma visão mais justa.

Ainda assim é muito. As reviews dos utilizadores são péssimas (e justas). As dos críticos também. O próprio realizador do filme exigiu que o seu nome fosse retirado da obra, depois dos produtores decidirem editar o filme (crítica do New York Times). Se um realizador que passou meses em volta de um filme não quer nada a ter com ele, então está tudo dito. Não é preciso dizer mais nada. Este filme é uma porcaria que vale ZERO estrelas. 

English:
I saw this movie because it came with a 4.5 out of 5 stars's review. What a disappointment! It's a waste of time really, so, heads up: don't bother watching it. The storyline did not grab me in particular, but lured by the high review - witch usually is precise - I saw it. And so I was taken to one of the messiest's Hollywood movies ever to be made. 

The plot starts with a young latino woman that begins seeing paranormal stuff such has strange people floating in the air. Apart from this, there's Keanu, again, a disturbed cop in a long rain coat, who investigates his partner assassination and has a bad name and reputation among the streets gangs. He likes to kick the bad-guys asses. Also, he swears a lot. Normal Keanu and normal cop cliché. 

Half the movie is spoken in spanish. Witch is just fine - after all, Portugal is not a audience that's lazy to read subtitles. Everything here is properly subtitle, witch is great. And also, more than half of the portuguese people understand and speak both english and spanish. No problem here. No prejudice. Yet the movie is still SOOOOOOOOO BAD that it's really a waste of time to watch it. It's better for a lazy man to go and wash the dirty dishes than to give this movie 10 minutes of attention. It's just that bad. I guess the lure with a high false review is a common trick to make people watch crap movies that are the majority, but still, I guess the explanation relates with the high numbers of latinos viewers who must have just pass all the major crap and rate this so high just because the characters spoke spanish. The guy who directed this movie demanded his name was taken out of it. That says it all, don't you think?


The IMDB site gives this shit a 2.5 stars in a total of 5 and a high 4.6 in a total of 10. I'm guessing, with time, it  will drop a lot. DON'T WATCH IT!! Go to the dentist instead. Go and make a painful health exam. Put your time in good use :)



A Saga GUERRA DAS ESTRELAS (Star Wars)


Com a febre de estreia do sexto filme da saga Star Wars, decidi rever os primeiros.
Comecei pelo primeiro, o de 1977, depois enganei-me e fui parar ao terceiro (1983), que achei muito mais fatela e algo ridículo comparado ao primeiro. E depois vi o segundo (1980).

O segundo é, de longe, o predileto.
Achei que tinha uma história muito melhor esquematizada. A acção estava muito mais elaborada, sem no entanto, se tornar confusa. As cenas de tiros e perseguições espaciais não foram chatas ao ponto de começar a fazer outra coisa e só voltar a olhar quando o ruído dos disparos acaba. E termina como todos os filmes aspirantes a sagas deviam terminar: deixando o espetador com a sensação de barriga cheia e com um bom desfecho, deixando contudo algo ainda pendente.

Se nos primeiros dois que assisti achei as interpretações lineares, básicas, neste segundo até isso pareceu diferente. Mérito da equipa, do diretor em particular, talvez. Achei o ator que fez Lando (Billy Dee Williams) muito bom na personagem. Dos melhores, aliás. Confirmei ter uma «queda» pelo R2C2 pela sua bravura. E continuo a achar que o C3PO ganha bastante força pelo simples detalhe de ter aquele tom de voz com sotaque britânico. Agrada-me a sua cobardia e a forma "afetada" com que fala.

Harrison Ford, ator que admiro pelo talento, encontrei-o aqui ainda meio em bruto. Principalmente nos primeiros. Se for a pensar bem nisso, acho que se nota uma evolução ao longo dos anos. Até mesmo quando protagonizou Blade Runner, ainda existia algo «cru» na sua entrega. Embora a dedicação, não duvido, estivesse lá. 


A Saga Guerra das Estrelas terá ainda mais dois filmes. Um previsto para ser filmado já neste ano que entra, e outro dois anos depois. Ao todo, serão OITO filmes. Pelo menos são esses os planos por enquanto. Até ao momento, o ator Anthony Daniels tem sido o único a trabalhar em todos, interpretando o droide dourado C3PO.

E você? O que acha dos filmes Star Wars?


 
Chegou ao fim? Deixe um comentário! CINEMA 4 US - blog português/inglês.
Free WordPress Themes Presented by EZwpthemes.